terça-feira, 17 de setembro de 2013


Quanta coisa boa o mês de Junho nos faz lembrar. As fogueiras, quadrilhas, luar, estrelas no céu, balões, alegrias que servem de base para a nossa formação, a pessoa que vamos ser. E foi lembrando de tudo isso que me lembrei de você, de nós. É como se fosse hoje, eu estava na velha varanda da nossa casa quando você apareceu. Saia xadrez marrom e uma blusinha preta, não sei ao certo o nome do tecido, acho que era bouclê. Seu jeito tímido pois não queria que eu pensasse que tinha ido me procurar, eu também não sabia o que dizer, mas esses detalhes não tiraram nada dos seus encantos, a luz dos nossos olhos sabia dizer e dizia tudo. Desviamos os nossos olhares por alguns segundos para no outro selarmos nossas almas prometendo ser para sempre. Ficamos sem voz enquanto eu embevecido admirava a pureza doce do seu rosto. Busquei coragem, quebrei o silêncio e perguntei: Você vai ao baile? Você disse não! A festa não é promovida pelo nosso partido político. E eu também não fui só para lhe agradar. Quantos anos se passaram... Dois, cinco, oito e três meses, eu sei até o dia (vinte e três de Junho exatamente) mas não quero dizer quanto tempo faz porque para mim quanto mais o tempo passa, mais e mais as lembranças se renovam. Mentalizo você andando nas poucas ruas calmas de areia onde nascemos, cabelos soltos esvoaçantes despertando em mim uma longa estrada de felicidade. As nossas casas eram tão próximas uma da outra que as vezes eu ia lhe acompanhando com o olhar na esperança de que você olhasse para traz e seguir o meu caminho sorridente e forte para enfrentar e vencer os meus medos. Éramos tão simples na maneira de agir que quando começo a pensar acho até engraçado rsrsrsrs. Mas a vida não é eterna e tudo tem um prazo, eu aprendi que devemos aproveitar a cada momento da nossa vida. E o mais importante, lutando para conquistar um grande amor, para não sofrer com arrependimentos. Mas aqueles momentos lindos em que desejávamos estar ao lado do outro para sempre, foram se distanciando a cada dia e hoje eu não consigo saber onde foi parar. Eu só sei dizer que não foi em vão que te entreguei a minha alma, porque são dessas lembranças fortes que vivo tateando conforto para as batidas descompassadas do meu coração. As vezes me entrego e caio em lamentos me levando pra onde o vento sopra pedindo ao tempo: "Ensina-me a viver sem essa emoção, quero seguir em frente indiferente ao passado, preciso esquecer o que juramos e trilhar o caminho que cada um de nós escolheu". Sepultar este segredo como coisa proibida fazendo-me forte tentando me soerguer das quedas, mesmo ainda muito frágil e só o feitiço toma conta do meu ser, contemplando a sua foto de monóculo (o pouco que me restou de você) descorada pelo tempo recolhe dos meus poucos fios de cabelos a brancura das minhas noites de solidão, e em nome do amor, somente no fundo da minha alma, mesmo sabendo que não tenho direito, eu ainda lembro seu nome. (Wilson

domingo, 3 de julho de 2011


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